sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Breve nota sobre o jejum

As disciplinas espirituais prescritas nas Escrituras tem a ver com os dois grandes mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Vejam, por exemplo, o caso do jejum, em Isaías 58.5-7:

"Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? 7 Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?"

A aflição da alma prescrita na lei mosaica (Lv 16.29), de onde (provavelmente) surgiu a prática do jejum (ver Sl 35.13), não deveria ser um rito meramente exterior, como o inclinar a cabeça como o junco e estender debaixo de si pano de saco e cinza. Sequer a mera abstinência do alimento, já que o próprio texto de Isaías 58.7 fala em repartir o pão com o faminto. Chamaríamos nós a aparência exterior de jejum e dia aceitável ao Senhor? Talvez sim. Mas não Deus. Ele mesmo define o que é o verdadeiro jejum, nos remetendo às duas tábuas da Lei - e numa proporção que lembra exatamente a dos Dez Mandamentos:

PRIMEIRA TÁBUA (deveres para com Deus) - "que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão [...] e despedaces todo jugo";

SEGUNDA TÁBUA (deveres para com o próximo): "deixes livres os oprimidos, [...] repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante".

Cabe-nos, portanto, a seguinte reflexão: temos jejuado conforme Deus o requer? Que Ele, em sua infinita graça, nos ajude.

Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. 13 Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei- vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal (Joel 2.12-13).

Soli Deo Gloria!

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Como usar as referências cruzadas no app Olive Tree (Bible +)

Bible +
O app de Bíblia da Olive Tree é, na minha opinião, a melhor e mais completa Bíblia offline para dispositivos móveis. Não quero entrar em detalhes dos seus numerosos recursos aqui, mas falar justamente de um que eu sentia muita falta: as referências cruzadas. Sabe aquele texto do Antigo Testamento citado por um autor do Novo (por exemplo, Efésios 4.8) mas que você não sabe/lembra exatamente qual é? Eis a utilidade das referências cruzadas (no caso de Efésios 4.8, a referência é o Salmo 68.18). Depois de tanto fuçar em busca dos textos correspondentes, eis que descubro, ainda que tardiamente, que esse recurso existia desde sempre no app. Mas, como diz o ditado, "antes tarde do que nunca". 

Segue, pois, um pequeno tutorial para os usuários do app da Olive Tree explorarem o recurso das referências cruzadas. É bem provável que alguém já soubesse da sua existência antes, evidentemente. Mas fica a dica para aqueles que (como eu, há bem pouco tempo atrás) reclamam da "falta" do tal recurso.

Primeiro, clique no número do versículo. Abrirá umas abas ("copiar, marca-texto", etc.). Clique na aba "Guide".  

Na caixa que abriu, vá em "versos relacionados" e escolha a English Standard Version (ESV). Ela é que tem o sistema de referências cruzadas. Então, para ter acesso a elas, você terá que ter a ESV instalada em seu app. Se ainda não tem, pare tudo e instale-na agora. Mas não se preocupe com o $: ela é grátis.  


Pronto: uma janelinha aparecerá com as referências cruzadas!


Se você clicar em qualquer uma das referências, o texto bíblico aparecerá na mesma janela pop-up (eu cliquei no Salmo 68.18). 


Viu que ele apareceu em português? Belezura, né? MAS se você não tiver alterado as configurações de hiperlink antes, o texto a aparecer poderá ser o da própria ESV - ou seja, em inglês. Mas isso é muito simples de resolver (as três próximas imagens). Vá em "configurações avançadas" e depois em "hiperlinks". Lá, você pode escolher a sua "Bíblia padrão para hiperlinks". No meu caso, eu optei pela "Almeida Revista e Atualizada (RA) com Strongs". Pronto: todo e qualquer hiperlink dentro do app remeterá você à versão em português que você escolheu.




Espero ter ajudado. A todos, uma boa leitura e bons estudos. E, claro,

Soli Deo Gloria!

PS.: Uso a versão para iOS. Não sei dizer se a versão para Android traz exatamente os mesmos recursos. Acredito, contudo, que deva trazer.
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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desafio Apologético 1 - Pena de morte

Resolvi tirar a poeira do blog (quatro meses sem postar nada!) lançando um desafio apologético a la Norma Braga para os leitores. A única diferença é que não há livros para serem presenteados aqui (por isso é que estou falando em desafio, não em concurso). Mas, por favor, não se sintam menos estimulados por isso. 

É o seguinte. O Gustavo Nogy, colaborador do blog Ad Hominem, publicou um texto no Facebook argumentando contra a pena de morte. Ei-lo:
POLÊMICA: sou contra a pena de morte. Por essa vocês não esperavam, hein? Duas dúzias de amigos conservadores devem, neste exato momento, estar considerando seriamente a possibilidade de desfazer tão nefasta amizade. Eu os traí. Eu sou o Caim do conservadorismo. Mas não, amigos e inimigos, eu não os traí. Eu traí a agenda. Muito embora enquadramentos ideológicos sejam pouco interessantes, não tenho problema algum em assumir meu conservadorismo. Antes: a ‘disposição conservadora’ de que fala Michael Oakeshott, reativa e necessariamente cética. Mas assumir essa disposição não significa carregar todo o pacote pra casa. Devo mais à minha consciência do que a um conjunto de preceitos políticos ou a um cortejo de Abéis. Sim, eu sei que nem mesmo a Igreja Católica condena a pena capital. Santo Tomás de Aquino escreveu sobre e o fez muito bem – e eu não tenho pena dos vilões. A questão é outra e a questão é simples. Se, como conservador, nego ao estado, em princípio, a prerrogativa de tributar; se nego ao estado o monopólio da educação; se me desagrada que o estado regule a economia e se, enfim, quero o estado limitado às funções mínimas que nem bem sei quais seriam – tamanho meu repúdio prudencial ao ‘detentor do monopólio da força’ –, então não me parece razoável que eu conceda ao estado o maior poder entre todos: o de decidir quem pode viver e quem deve morrer. Admitir que o estado execute é, na prática, aceitar o muito e rejeitar o pouco. É cuspir um Jean Wyllys e engolir um Josef Stalin.
Eu sei perfeitamente que esse tema não goza de unanimidade entre os cristãos (o próprio Nogy é um), nem mesmo entre os de linha reformada. Portanto, o desafio vai para aqueles que, como eu, entendem que a pena capital (executada pelo Estado, evidentemente) é bíblica (vide a "espada" em Romanos 13). Para quem entende que não é - a despeito da evidência bíblica -, #ficaadica do argumento levantado pelo Gustavo. É, eu diria, um argumento que pega carona no conceito do Estado mínimo. O problema é que ele se recusa a aceitar justamente uma das únicas intervenções estatais que a Escritura legitima, que é a pena capital. Mas esse é um assunto para vocês.

E aí, quem se habilita? Comentem!

Soli Deo Gloria!

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domingo, 17 de março de 2013

Jesus e os Franciscos

O Fantástico de hoje exibiu uma reportagem sobre o Papa e disse que seu gesto de beijar os pés dos fiéis foi inspirado em São Francisco de Assis. Um telespectador entra em contato com a produção pra dizer que, na verdade, o gesto foi inspirado em Jesus, que beijou os pés dos discípulos. Então, Renata Vasconcelos, a apresentadora, diz que a reportagem tinha falado em São Francisco de Assis porque este ficou famoso por, dentre outras coisas, sua humildade, e que beijava, inclusive, doentes com lepra.

Vejam. Se a repórter tivesse um conhecimento mínimo das Escrituras, logo saberia que Jesus, na verdade, lavou, e não beijou os pés dos discípulos (ver João 13.1-11). E, a partir desses dados, poderia corrigir o referido telespectador com mais propriedade. Mas não - ela preferiu mostrar que um pecador como São Francisco foi mais humilde que Jesus, o Filho de Deus. O que ela talvez não saiba é que Jesus não somente curou muitos leprosos (Mt 11.5; Lc 17.11-19), mas, no maior gesto de humildade que alguém foi capaz, como se não bastasse se fazer carne - visto que era Deus -, padeceu por pecadores na cruz do Calvário.

Nenhum dos Franciscos será capaz disso, pois a nenhum deles poderia ser dito "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei" (Hb 1.5). Por isso, brademos com os reformadores: Solus Christus!

 

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sábado, 20 de outubro de 2012

Conversando com Calvino sobre governo feminino

"Não permito, porém, que a mulher ensine" (1 Tm 2.12).

E quanto ao fato de as mulheres instruírem seus filhos, Calvino?

- Paulo não está falando das mulheres em seu dever de instruir sua família; está apenas excluindo-as do ofício do sacro magistério, o qual Deus confiou exclusivamente aos homens.

Mas e Débora, Calvino? Ela foi juíza em Israel (Jz 4.4)...

- Se por acaso alguém desafiar esta posição, citando o caso de Débora e outras mulheres sobre quem lemos que Deus, em determinado tempo, as designou para governar o povo, a resposta óbvia é que os atos extraordinários de Deus não anulam as regras ordinárias, às quais ele quer que nos sujeitemos. Por conseguinte, se em determinado tempo as mulheres exerceram o ofício de profetisas e mestras, e foram levadas a agir assim pelo Espírito de Deus, Aquele que está acima da lei pode proceder assim. Sendo, porém, um caso extraordinário, não se conflita com a norma constante e costumeira.

O que dizer, então, das atuais tentativas de legitimar o governo feminino nas igrejas?

- Todos os homens sábios sempre rejeitaram o governo feminino como sendo uma monstruosidade contrária à ordem natural. E assim, para uma mulher usurpar o direito de ensinar seria o mesmo que confundir o céu e a terra.

(Baseado no comentário de Calvino às Cartas Pastorais. Editora Fiel, 2009. p. 70, 71).

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Breve comentário a Lucas 12.16-21

"E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. 17 E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? 18 E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí- los- ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. 19 Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala- te. 20 Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? 21 Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus" (Lucas 12.16-21. ARA).

Acredito que, ao denunciar a avareza do "louco" da parábola, Jesus tinha em mente leis como a que encontramos em Levítico 19.9,10: "Quando também segares a messe da tua terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua messe. 10 Não rebuscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o SENHOR, vosso Deus". 

Paulo reforça esse entendimento em 1 Timóteo 6.17-19: "Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; 18 que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; 19 que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida".

Além de demonstrar falta de preocupação e amor para com o próximo, o avarento da parábola (bem como todo avarento) não confia na Providência divina. Ele está como o povo no deserto, guardando o maná para o dia seguinte (Cf. Êxodo 16.19-30). Depositam sua esperança em coisas perecíveis, esquecendo-se de que "nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mt 4.4; Dt 8.3).
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O conceito de fé em 2 Coríntíos 5.7 - um brevíssimo comentário

Visto que andamos por fé, e não pelo que vemos (1 Co 5.7 - ARA).
Geralmente as pessoas usam esse texto para combater o materialismo (aquele do tipo “Tomé”, digamos). Mas penso que não é exatamente esse o ponto do apóstolo nessa passagem. Penso que ele pode estar  colocando “fé” aqui como algo provisório, visto que na eternidade não precisaremos mais dela. Assim sendo, “andamos por fé e não pelo que vemos” significaria, então, algo como “andamos por fé porque é dela que precisamos agora para ver aquilo que ainda não vemos (ou, o que vemos como por espelho, obscuramente). Mas quando chegar o tempo de vermos face a face [cf. 1 Co 13.10-13], não precisaremos mais da fé, visto que aquilo para o que ela apontava se nos tornou em realidade concreta”. 
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