segunda-feira, 29 de junho de 2015

O assim chamado "casamento homossexual" – lamentando a nova calamidade

Por John Piper

Jesus morreu para que homossexuais e heterossexuais pecadores possam ser salvos. Ele criou a sexualidade, e tem uma clara vontade de como ela deve ser experienciada em santidade e alegria.
Sua vontade é que um homem possa deixar seu pai e sua mãe e unir-se a sua esposa, e que os dois se tornem uma só carne (Marcos 10.6-9). Nessa união, a sexualidade encontra seu significado teorreferente, seja em uma união físico-corporal, representação simbólica, regozijo sensual ou procriação frutífera.
Para aqueles que têm abandonado o caminho de Deus para a realização sexual e enveredado em relação homossexual, relação heterossexual fora do casamento (fornicação) ou adultério, Jesus oferece maravilhosa misericórdia.
Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1 Coríntios 6.11).
Mas hoje essa salvação dos atos sexuais pecaminosos não foi aceita. Em vez dela, o que houve foi uma maciça institucionalização do pecado.
Numa decisão por 5 votos a 4, a Suprema Corte dos Estados Unidos da América resolveu que os estados não podem impedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A Bíblia não se cala sobre decisões desse tipo. Junto da sua mais clara explanação do pecado da relação homossexual (Romanos 1.24-27) está a acusação da sua aprovação e institucionalização. Embora as pessoas intuitivamente saibam que o ato homossexual (junto com a fofoca, a calúnia, a insolência, a arrogância, a jactância, a incredulidade, a crueldade, a desumanidade) seja pecado, elas “não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1.29-32). “[…] Eu vos dizia […], chorando, [que] a glória deles está na sua infâmia” (Filipenses 3.18-19).
Isso é que o que a mais alta corte do nosso país fez hoje — sabendo que tais ações são erradas, “também aprovam os que assim procedem”.
Minha sensação é que não nos damos conta de que uma calamidade está acontecendo ao redor de nós. O fato novo — novo para a América, novo para a história — não é a homossexualidade. Essa transgressão está aqui desde que todos nós transgredimos na queda do homem. (E aqui está uma grande diferença entre a orientação e o ato — assim como há uma grande diferença entre a minha orientação para o orgulho e o ato da jactância).
O que há de novo não é nem mesmo a celebração e aprovação do pecado da homossexualidade. O comportamento homossexual tem sido explorado, e festejado, e celebrado na arte por milênios. O que há de novo é a sua normalização e institucionalização. Esta é a nova calamidade.
Minha principal razão em escrever não é levantar um contra-ataque político. Não acho que este seja o chamado da igreja. Minha razão em escrever é ajudar a igreja a sentir a tristeza desses dias, e a magnitude do ataque a Deus e à sua imagem no homem.
Os cristãos, de forma mais clara do que outros, podem ver o tsunami de dor que está a caminho. O pecado conduz à sua própria miséria: “Semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Romanos 1.27).
E no ápice do poder autodestrutivo do pecado vem, consequentemente, a ira final de Deus: “prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus” (Colossenses 3.5-6).
Os cristãos sabem o que está vindo, não apenas porque o vêem na Bíblia, mas porque temos experimentado o doloroso fruto dos nossos próprios pecados. Não podemos escapar à verdade de que colhemos o que semeamos. Nossos casamentos, nossas crianças, nossas igrejas e nossas instituições — todos estão atribulados pelos nossos pecados.
A diferença é: nós choramos sobre nossos pecados. Não os celebramos. Não os institucionalizamos. Voltamo-nos a Jesus para obter perdão e socorro. Clamamos a Jesus, “que nos livra da ira vindoura” (1 Tessalonicenses 1.10).
E em nossos melhores momentos, choramos pelo mundo, e por nossa nação. Nos dias de Ezequiel, Deus colocou uma marca de esperança “[n]a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio [de Jerusalém]” (Ez 9.4).
É por isso que estou escrevendo. Não é uma ação política, mas amor pelo nome de Deus e compaixão pela cidade da destruição.
“Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei” (Sl 119.136).
***
Fonte: Desiring God.
Tradução: Leonardo Bruno Galdino.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Deus, os cristãos e a causa do pobre

Abaixo, uma pergunta que recebi no Facebook a propósito de uma ligeira crítica que fiz a um texto do pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz (o texto merece uma crítica mais demorada, mas fica para uma outra hora). Resposta logo em seguida, ligeiramente editada aqui.
Será que Deus não detesta ver os ricos em bons hospitais enquanto os pobres estão nos corredores e nas filas de cirurgias? Será que o Justo Juiz não se ira com o mal cheiro do esgoto a céu aberto das favelas enquanto os ricos sentem o cheiro do mar em seus apartamentos de zona sul? Será que o Soberano não abomina a disputa dos ricos bem instruídos com os pobres semi-analfabetos? Será que O Todo-Poderoso não ri ao ver tantos cristãos brasileiros com síndrome de europeísmo defendendo o estado mínimo em um pais em que tantos sobrevivem sem o mínimo de dignidade? Não vamos entregar o cuidado com os pobres ao marxismo. Nem vamos ser orgulhosos ao dizer: "cuidar dos pobres é tarefa exclusiva da Igreja, o estado não tem que se meter". Este é um valor cristão por excelência.
"Será que Deus não detesta ver os ricos em bons hospitais enquanto os pobres estão nos corredores e nas filas de cirurgias?" - pergunta pro Lula se ele prefere o SUS ao Sírio-Libanês (o hospital mais caro do Brasil) para tratar a sua saúde.

"Será que o Justo Juiz não se ira com o mal cheiro do esgoto a céu aberto das favelas enquanto os ricos sentem o cheiro do mar em seus apartamentos de zona sul?" - pergunta pra Regina Casé se ele troca seu apartamento no Leblon por uma casa na favela, que ela tanto diz adorar.

"Será que o Soberano não abomina a disputa dos ricos bem instruídos com os pobres semi-analfabetos?" - pergunta pro Ministro da Educação se o filho dele estuda em escola pública e quantos pobres ele deixou para trás na prova do vestibular.

Aí você me pergunta: "mas o Lula, a Regina Casé e o Ministro da Educação estão errados em querer o melhor para si?" E eu respondo: mas é claro que não! Estão absolutamente certos (desde que não seja feito às expensas do erário público, no caso dos políticos). Ora, se você tem condições de pagar por um serviço caro mas de qualidade, qual a razão de preferir o serviço barato (ou "de graça") e de péssima qualidade? Você vai mesmo preferir morrer porque "oh, há alguém morrendo neste exato instante na fila do SUS e eu preciso ser solidário a ele" (como a Yasmin Brunet, que disse que come pouco porque pensa nos milhões de famintos desse mundo)? Isso é contrassenso, para não dizer estupidez. E vou além: é pecado, pois viola o 6º mandamento ("Não matarás"). No caso dos figurões que citei, nem é preciso chegar ao contrassenso ou à estupidez, porque isso, posso garantir, é a últma coisa que lhes acomete. O problema dessa gente é mesmo a hipocrisia. Esse é o grande problema com a esquerda caviar.

Mas tem outra coisa para se pensar a partir dessas suas perguntas. Aliás, três coisas. Primeiro: gerir uma universidade cristã - de onde sairão os futuros médicos, professores, advogados, engenheiros e etc. - também conta como um "chamado para o pobre" ou só os que se enfurnam nas favelas é que são chamados para esta graça? 


Segundo: riqueza, bem-estar e conforto são coisas que existem "in natura" ou são coisas que se produzem e conquistam (lembre da escassez a que o homem foi reduzido e condenado após a Queda)? 

Terceiro: de quem é a culpa por toda essa desigualdade? Adianto que a esquerda dirá que toda a culpa é da "burguesia", e nunca, absolutamente nunca do próprio pobre. E como a meritocracia é um conceito "burguês-capitalista-opressor", a sua (da esquerda) proposta será sempre a de nivelar a todos. E do que ela precisa para isso? De um estado gigante e altamente interventor (o contrário do "estado mínimo"), o qual possa atuar como o "distribuidor de justiça". O grande problema com isso é que esse modelo político-econômico se mostrou e tem se mostrado um completo fracasso onde quer que tenha sido implantado, inclusive com o prejuízo de milhões de vidas - principalmente a dos pobres, público para quem ele pretensamente veio. Irônico, não?

Dizer que "cuidar dos pobres é tarefa exclusiva da Igreja, o estado não tem que se meter" não é questão de orgulho, mas de ser bíblico. Olhe para Atos 6 e veja se os apóstolos recorreram ao estado para socorrer as suas viúvas e órfãos. Em vez disso, diáconos foram instituídos para esse serviço. Aliás, não vejo qualquer pista bíblica no sentido de que o estado deve assumir para si essa função da caridade. Sua função está bem delineada em Romanos 13: o poder da espada. É com isso que ele deve se ocupar. E, como diria Fréderic Bastiat, o que precisamos  é "não esperar senão duas coisas do Estado: Liberdade e Segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas". Os totalitarismos estão aí para provar essa verdade. Não entregar os pobres ao marxismo é exatamente não entregá-los ao estado.
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sexta-feira, 23 de maio de 2014

A Lei da Palmada e o desafio cristão

Irmãos,

estamos diante de uma situação delicada. Refiro-me ao Projeto de Lei 7.672 — também conhecido como a “Lei da Palmada” —, que desde 2010 tramitava no Congresso e foi aprovado na última quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Em resumo, é isso: os pais estarão proibidos de castigarem fisicamente os seus filhos. A invasão do estado (que é um governo) à soberania da esfera familiar (que também é um governo) caminha a passos cada vez mais galopantes em terra brasilis.

O apóstolo Paulo ensina que "toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17). Ora, se é verdade que "a Escritura não pode falhar" (João 10.35), então é fato que essa proibição absurda produzirá o que países como a Suécia — o primeiro a instituir uma Lei da Palmada, em 1979 — está experimentando: uma geração de crianças mimadas e mal preparadas para a vida adulta. E isso é o mínimo, pois sabemos que efeitos muito mais devastadores para a sociedade poderão decorrer daí (criminosos de toda espécie, por exemplo).

"A Escritura não pode falhar".

Provérbios 29.15 diz que "a vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”. Diz também que filhos corrigidos trazem “descanso” e “delícias” à alma dos seus pais ("Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma” — Provérbios 29.17). A experiência sueca (e agora a do Brasil, daqui para a frente) poderia ser bem diferente caso esse preceito fosse aplicado.

A referida Lei tem o objetivo expresso de “estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante”. Mas vejam como a definição que a alínea I do Parágrafo Único dá a “castigos físicos” é elástica:
"Ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento ou lesão à criança ou ao adolescente”.
Vocês concordam que um simples segurar o filho pelo braço (que é uso da força física) e lhe dar umas broncas poderá ser enquadrado como castigo físico, uma vez que poderá resultar em “sofrimento” para a criança? OK, vocês podem até não concordar que poderá resultar (e, de fato, poderá mesmo não resultar). Mas o fato é que, para o estado, i-ne-vi-ta-vel-men-te resultará, não tenham dúvida. Muita coisa (para não dizer tudo) poderá resultar em sofrimento para a criança: bastará o estado definir o quê. Aparentemente, é por amor aos menores que esse tipo de lei é pensado. Mas a Escritura, que, lembrando, “não pode falhar”, diz que privar a criança do castigo físico é, na verdade, odiá-la: “O que retém a vara aborrece [no hebraico, odeia] a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13.24).

É evidente que não estou a defender aqui a violência contra as nossas crianças. Provérbios 19.18 alerta: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”. O fato de achar essa lei absurda não significa que a violência contra a criança não existe. Sim, ela existe, e eu mesmo conheço casos e mais casos de pais que se excedem no castigo que infligem aos seus filhos quase “a ponto de matá-los”. Mas o fato é que o disparate dessa gente é tanto que rebatizaram a então Lei da Palmada para “Lei Menino Bernardo”, em homenagem a Bernardo Boldrini, que foi covardemente assassinado pelo pai e pela madrasta. Ou seja, "o pai que dá um tabefe na bunda de um moleque mal educado é rebaixado à condição de potencial psicopata que pode eventualmente matá-lo e dar um sumiço em seu corpo", como bem colocou Guilherme Macalossi. Querem exemplo maior de loucura?
 
A bancada evangélica no Congresso resistiu, mas não foi suficiente: a lei foi aprovada com unanimidade de votos. O marxismo, em sua guerra contra a família, acaba de ganhar mais uma batalha. Os pais serão ameaçados pelos próprios filhos, como já pude ouvir de um irmão da igreja em que sirvo.
 
O desafio que temos pela frente é grande, pois quando o estado legisla contra a Palavra de Deus nós somos chamados a resisti-lo (cf. Atos 5.29). A Escritura diz que a criança não é o anjinho que o pensamento politicamente correto pinta. Pelo contrário, "a estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela" (Provérbios 22.15). Se de fato amamos as nossas crianças, deveremos desobedecer ao estado neste particular. Como está escrito, "não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno" (Provérbios 23.13-14). A única coisa que a Lei da Palmada fará é povoar o lugar que Deus preparou para o diabo e seus anjos.

Que Deus proteja as nossas famílias do deus-estado e nos dê a sabedoria necessária tanto para enfrentá-lo como também para educar as nossas crianças no Seu temor.

Amém!

Para discussão: desobedecer ao estado mesmo correndo o risco de perder a guarda da criança? Qual a alternativa diante desse risco e do risco de repetir a experiência sueca (que já é a experiência de muitas famílias brasileiras)?
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Ezequiel 27 e a economia de livre mercado

Dentre todos os textos bíblicos, o capítulo 27 de Ezequiel talvez seja o que melhor exemplifique o funcionamento básico da economia de livre mercado e a benção que ela é (ao contrário do intervencionismo estatal). Apesar de o texto sagrado não ser prescritivo, mas descritivo, há ensinamentos valiosos a serem colhidos. E o que temos ali? Temos uma grande potência, que é Tiro, uma cidade "que habita nas entradas do mar, e negocia com os povos em muitas ilhas" (v. 3) e cuja força estava produção de mercadorias de muito valor para a época [1], as quais certamente eram objeto de cobiça entre as nações. "Quando as tuas mercadorias saiam pelos mares, fartaste a muitos povos; com a multidão das tuas riquezas e do teu negócio, enriqueceste os reis da terra", diz o verso 33. Temos também os seus diversos parceiros comerciais, os quais contribuíram para que aquela distinta cidade gozasse de todo aquele glamour. "No coração dos mares estão os teus termos; os que te edificaram aperfeiçoaram a tua formosura", diz o verso 4. De acordo com o profeta Isaías, Tiro tinha os "negociantes mais nobres da terra" (Is 23.8).

Não fosse as outras nações, porém, Tiro não teria sido lá grande coisa: seus navios não teriam os bancos feitos de marfim engastado e nem a vela feita de linho fino bordado (v. 6 e 7); não teria também os aromas finos (v. 22) e os tapetes coloridos (v. 23), pois tudo isso era importado (inclusive os homens que compunham o seu exército - v. 10). Tivesse, por exemplo, declarado guerra às outras nações, ela nunca poderia ter sido o que o texto diz que ela era. Ora, se o país X é farto em A mas escasso em B, e o país Y é farto em B mas escasso em A, nada mais sensato do que eles se ajudarem caso queriam sobreviver. O livre mercado, pois, é um dos meios que Deus instituiu para que os homens mantivessem o mínimo de comunhão entre entre si, cada um reconhecendo que precisa do outro, evitando, com isso, guerras e outras calamidades. Se as obras da Providência são a "mui santa, sábia e poderosa maneira [de Deus] preservar e governar todas as suas criaturas e todas as suas ações, para a sua própria glória", conforme nos ensina o Catecismo Maior de Westminster (Q 18), então podemos seguramente incluir a economia de livre mercado como sendo parte dessas obras [2].

Logo, é evidente que a Escritura não condena uma pessoa somente porque ela tem habilidades para a atividade comercial e prospera na vida por isso. Pelo contrário. Ainda em Ezequiel, no capítulo 28, versos 3 a 5, o rei de Tiro é até elogiado por sua destreza:

Eis que tu és mais sábio que Daniel; e não há segredo algum que se possa esconder de ti. Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros. Pela extensão da tua sabedoria no teu comércio aumentaste as tuas riquezas.

A despeito de tudo isso, a queda de Tiro não tardaria (Ez 27.1-2; 27-36). Mas ela não se deu por conta da sabedoria do seu rei aplicada às relações comerciais, mas pela sua falta de temor ao Senhor, que é onde a verdadeira sabedoria começa (cf. Pv 9.10). O rei de Tiro estava usurpando a glória de Deus. "Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares”, dizia ele (Ez 28.3). Então Deus sentencia: "Acaso dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou Deus? Mas tu és homem, e não Deus, na mão do que te traspassa. Da morte dos incircuncisos morrerás, por mão de estrangeiros, porque eu o falei, diz o Senhor Deus" (Ez 28.9-10). E por quê? Isaías explica: "O Senhor dos Exércitos formou este desígnio [sobre Tiro] para denegrir a soberba de toda a glória, e envilecer os mais nobres da terra" (Is 23.9). Seja ela moral, espiritual ou mesmo financeira, "a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda", como já alertava Salomão (Pv 16.18). É preciso saber lidar com as bênçãos de Deus, senão elas se nos tornam em maldição - não pelo seu valor intrínseco, mas por nossa própria incompetência em administrá-las.

Usufrua do livre mercado - é benção. Clame menos por intervenção do Estado - ele não foi constituído para tal. Não faça do livre mercado (nem da prosperidade que ele proporciona) o seu deus. Não faça do Estado o seu deus.

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[1] Segundo consta no Wikipédia, "a cidade de Tiro foi particularmente conhecida pela produção de um tipo de tinta púrpura bastante raro. Esta cor era reservada, em muitas culturas dos tempos antigos, para a realeza ou nobreza".

[2] É bem verdade que a economia de livre mercado seja incapaz de por si só erradicar toda a pobreza do mundo, mas pelo menos ela não vive prometendo isso, como o fazem os comunistas e as esquerdas de modo geral. A propósito, a única "igualdade" que o comunismo distribuiu (e continua distribuindo) pelo mundo foi a miséria, o que é fato para além de toda contestação.

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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Breve nota sobre o jejum

As disciplinas espirituais prescritas nas Escrituras tem a ver com os dois grandes mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Vejam, por exemplo, o caso do jejum, em Isaías 58.5-7:

"Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? 7 Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?"

A aflição da alma prescrita na lei mosaica (Lv 16.29), de onde (provavelmente) surgiu a prática do jejum (ver Sl 35.13), não deveria ser um rito meramente exterior, como o inclinar a cabeça como o junco e estender debaixo de si pano de saco e cinza. Sequer a mera abstinência do alimento, já que o próprio texto de Isaías 58.7 fala em repartir o pão com o faminto. Chamaríamos nós a aparência exterior de jejum e dia aceitável ao Senhor? Talvez sim. Mas não Deus. Ele mesmo define o que é o verdadeiro jejum, nos remetendo às duas tábuas da Lei - e numa proporção que lembra exatamente a dos Dez Mandamentos:

PRIMEIRA TÁBUA (deveres para com Deus) - "que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão [...] e despedaces todo jugo";

SEGUNDA TÁBUA (deveres para com o próximo): "deixes livres os oprimidos, [...] repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante".

Cabe-nos, portanto, a seguinte reflexão: temos jejuado conforme Deus o requer? Que Ele, em sua infinita graça, nos ajude.

Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. 13 Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei- vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal (Joel 2.12-13).

Soli Deo Gloria!

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Como usar as referências cruzadas no app Olive Tree (Bible +)

Bible +
O app de Bíblia da Olive Tree é, na minha opinião, a melhor e mais completa Bíblia offline para dispositivos móveis. Não quero entrar em detalhes dos seus numerosos recursos aqui, mas falar justamente de um que eu sentia muita falta: as referências cruzadas. Sabe aquele texto do Antigo Testamento citado por um autor do Novo (por exemplo, Efésios 4.8) mas que você não sabe/lembra exatamente qual é? Eis a utilidade das referências cruzadas (no caso de Efésios 4.8, a referência é o Salmo 68.18). Depois de tanto fuçar em busca dos textos correspondentes, eis que descubro, ainda que tardiamente, que esse recurso existia desde sempre no app. Mas, como diz o ditado, "antes tarde do que nunca". 

Segue, pois, um pequeno tutorial para os usuários do app da Olive Tree explorarem o recurso das referências cruzadas. É bem provável que alguém já soubesse da sua existência antes, evidentemente. Mas fica a dica para aqueles que (como eu, há bem pouco tempo atrás) reclamam da "falta" do tal recurso.

Primeiro, clique no número do versículo. Abrirá umas abas ("copiar, marca-texto", etc.). Clique na aba "Guide".  

Na caixa que abriu, vá em "versos relacionados" e escolha a English Standard Version (ESV). Ela é que tem o sistema de referências cruzadas. Então, para ter acesso a elas, você terá que ter a ESV instalada em seu app. Se ainda não tem, pare tudo e instale-na agora. Mas não se preocupe com o $: ela é grátis.  


Pronto: uma janelinha aparecerá com as referências cruzadas!


Se você clicar em qualquer uma das referências, o texto bíblico aparecerá na mesma janela pop-up (eu cliquei no Salmo 68.18). 


Viu que ele apareceu em português? Belezura, né? MAS se você não tiver alterado as configurações de hiperlink antes, o texto a aparecer poderá ser o da própria ESV - ou seja, em inglês. Mas isso é muito simples de resolver (as três próximas imagens). Vá em "configurações avançadas" e depois em "hiperlinks". Lá, você pode escolher a sua "Bíblia padrão para hiperlinks". No meu caso, eu optei pela "Almeida Revista e Atualizada (RA) com Strongs". Pronto: todo e qualquer hiperlink dentro do app remeterá você à versão em português que você escolheu.




Espero ter ajudado. A todos, uma boa leitura e bons estudos. E, claro,

Soli Deo Gloria!

PS.: Uso a versão para iOS. Não sei dizer se a versão para Android traz exatamente os mesmos recursos. Acredito, contudo, que deva trazer.
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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Desafio Apologético 1 - Pena de morte

Resolvi tirar a poeira do blog (quatro meses sem postar nada!) lançando um desafio apologético a la Norma Braga para os leitores. A única diferença é que não há livros para serem presenteados aqui (por isso é que estou falando em desafio, não em concurso). Mas, por favor, não se sintam menos estimulados por isso. 

É o seguinte. O Gustavo Nogy, colaborador do blog Ad Hominem, publicou um texto no Facebook argumentando contra a pena de morte. Ei-lo:
POLÊMICA: sou contra a pena de morte. Por essa vocês não esperavam, hein? Duas dúzias de amigos conservadores devem, neste exato momento, estar considerando seriamente a possibilidade de desfazer tão nefasta amizade. Eu os traí. Eu sou o Caim do conservadorismo. Mas não, amigos e inimigos, eu não os traí. Eu traí a agenda. Muito embora enquadramentos ideológicos sejam pouco interessantes, não tenho problema algum em assumir meu conservadorismo. Antes: a ‘disposição conservadora’ de que fala Michael Oakeshott, reativa e necessariamente cética. Mas assumir essa disposição não significa carregar todo o pacote pra casa. Devo mais à minha consciência do que a um conjunto de preceitos políticos ou a um cortejo de Abéis. Sim, eu sei que nem mesmo a Igreja Católica condena a pena capital. Santo Tomás de Aquino escreveu sobre e o fez muito bem – e eu não tenho pena dos vilões. A questão é outra e a questão é simples. Se, como conservador, nego ao estado, em princípio, a prerrogativa de tributar; se nego ao estado o monopólio da educação; se me desagrada que o estado regule a economia e se, enfim, quero o estado limitado às funções mínimas que nem bem sei quais seriam – tamanho meu repúdio prudencial ao ‘detentor do monopólio da força’ –, então não me parece razoável que eu conceda ao estado o maior poder entre todos: o de decidir quem pode viver e quem deve morrer. Admitir que o estado execute é, na prática, aceitar o muito e rejeitar o pouco. É cuspir um Jean Wyllys e engolir um Josef Stalin.
Eu sei perfeitamente que esse tema não goza de unanimidade entre os cristãos (o próprio Nogy é um), nem mesmo entre os de linha reformada. Portanto, o desafio vai para aqueles que, como eu, entendem que a pena capital (executada pelo Estado, evidentemente) é bíblica (vide a "espada" em Romanos 13). Para quem entende que não é - a despeito da evidência bíblica -, #ficaadica do argumento levantado pelo Gustavo. É, eu diria, um argumento que pega carona no conceito do Estado mínimo. O problema é que ele se recusa a aceitar justamente uma das únicas intervenções estatais que a Escritura legitima, que é a pena capital. Mas esse é um assunto para vocês.

E aí, quem se habilita? Comentem!

Soli Deo Gloria!

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