quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Como falar de governo civil e política para os seus filhos?

Por Ruth Beechick


Uma boa estratégia para ajudar seus filhos a ficarem a par das várias formas de governo é a mesma para com todas as cosmovisões: começando com o que eles encontram em seu dia a dia. Em suas leituras, é provável que eles se deparem principalmente com reis e imperadores. A Bíblia ensina que os reis não desempenharão bem suas funções até que Jesus se torne Rei. Ele é perfeitamente reto; logo, será o Rei perfeito. Os homens são pecadores, alguns piores que outros; logo, reis humanos são pecadores. Reis não são eleitos; eles cumprem essa função por toda a vida. Às vezes os chamamos de ditadores ou imperadores. Podemos até chamá-los de presidentes hoje, mas se são realmente ditadores, sempre serão “reeleitos” por meios fraudulentos. Quando certos governantes estão nos noticiários, você pode ajudar seus filhos a entender algo sobre que tipo de governantes eles são.

O povo de Israel pediu ao profeta Samuel que lhes desse um rei. Samuel orou e Deus lhe disse o que um rei seria para o povo. Primeiro, ele tomaria seus filhos para servi-lo e para ficar nas forças armadas – embora este fosse um serviço voluntário na época dos juízes, convocado apenas quando necessário. Um rei também tomaria as filhas do povo para servi-lo. Ele exigiria impostos de suas colheitas e animais, e confiscaria terras para dá-las aos seus servidores (1 Sm 8.4-18). Em 1 Reis 21.1-16 há um relato sobre um campo confiscado[1]. Outro relato acerca do fardo dos reis está em 1 Reis 12.1-19.

Roboão, filho de Salomão, consultou os homens idosos que haviam trabalhado com seu pai, e eles lhe disseram que o povo o amaria se ele o servisse e fosse bom para ele. Então, consultou ele os jovens de sua idade, e estes lhe disseram para tornar o fardo do povo ainda mais pesado do que aquele que seu pai impusera. Roboão deu ouvidos aos jovens. Ele enviou um coletor de impostos para as tribos de Israel, a quem o povo apedrejou [1 Cr 10.18]. Essa parte do reino dividiu-se e escolheu um outro rei. Os colonos americanos fizeram o mesmo. Quando os fardos do rei se tornaram pesados demais, eles não exatamente apedrejaram os coletores de impostos, mas lançaram seus navios carregados de chá em Boston, e separaram-se da Inglaterra[2].

Os fundadores da América sabiam, a partir de Isaías 33.22, que o governo civil requer três funções: “Porque o SENHOR é o nosso juiz, o SENHOR é o nosso legislador, o SENHOR é o nosso Rei”. No reino de Cristo, Jesus será juiz, legislador e rei, mas nos reinos terrenos as pessoas são pecadoras, e governos tornam-se corruptos se poder demais for concentrado nas mãos de um só indivíduo. Então, os fundadores criaram três esferas de poder e dividiram os poderes em judicial, legislativo e executivo. Cada esfera poderia observar as outras e tentar preservá-las de serem como Roboão.  

Governos tendem a adquirir continuamente mais poder para si mesmos. No comunismo, os líderes têm controle absoluto sobre todas as coisas. Em nações livres, as pessoas temem a palavra “comunismo”. Então, líderes astuciosos usam outras palavras em seu lugar. Uma delas é socialismo. Outra é progressismo. Isso soa bem até você investigar para qual direção eles querem progredir. Muitos movimentos com outros nomes são os meios usados pelos comunistas para esconder o seu verdadeiro caráter.

Na política americana, “conservadores” e “liberais”[3] são os rótulos partidários atuais que as crianças podem começar a entender. Os conservadores apoiam um estado mínimo, menos impostos e pessoas tocando suas vidas sem tanta interferência do governo. Liberais apoiam um estado grande administrando todos os tipos de programas para as pessoas – o que, naturalmente, exige altos impostos também. Os republicanos deveriam ser mais conservadores, mas, na prática, muitos dos membros de ambos os partidos votam a favor de programas que distribuem o dinheiro do contribuinte porque isso lhes garantirá os votos daqueles que recebem as benesses. As acepções para cada rótulo e partido político mudam ao longo do tempo na história.

Use os eventos atuais, bem como sua história e estudos cívicos para ajudar as crianças a entender as complexas questões do governo civil gradualmente, e sempre tente comparar com os princípios bíblicos.

Checklist

Aqui está uma lista de tópicos sobre os quais você pode desejar falar ou ler para os seus filhos:


1.      O que farão os reis? (1 Sm 8.4-18);
2.      O que fez o rei Acabe? (1 Rs 21.1-18);
3.      O que fez o rei Roboão? (1 Rs 12.1-19);
4.      As três esferas de poder dos EUA;
5.      Comunismo;
6.      Conservadores;
7.      Liberais.


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Fonte: BEECHICK, Ruth. A Biblical Home Education: Building yourhomeschool on the foundation of God’s Word. B&H Publishing, 2007. p. 71-72 (“Government and politics”, subseção do cap. 4, “Worldviews to Match the Bible”).

Tradução de Leonardo Bruno Galdino.




[1] Sobre esse episódio, escrevi um pequeno texto aqui: http://lbgaldino.tumblr.com/post/131723558815/a-democracia-de-jezabel-ou-simplesmente-a. (Nota do Tradutor.)
[2] “Festa do Chá de Boston (Boston Tea Party, em inglês) é a designação dada a uma ação de protesto executada pelos colonos ingleses na América contra o governo britânico, no qual se lançaram três navios carregados de chá pertencentes à Companhia Britânica das Índias Orientais atirando-os às águas do Porto de Boston. O incidente, que teve lugar a 16 de Dezembro de 1773, constituiu-se em um evento-chave no desenrolar da Revolução Americana e permanece como um acontecimento-ícone na História dos Estados Unidos. Os colonos disfarçaram-se de índios para invadir os navios da Companhia e atirar a carga de chá ao mar. O mentor do protesto, John Hancock, viria a ser Governador”. Fonte: Wikipédia. (Nota do Tradutor.) 
[3] Na política americana, ser “liberal” equivale a ser de esquerda – ou seja, a apoiar um estado grande e interventor. Na Europa (e também no Brasil), liberal significa alguém que apoia exatamente o oposto: um estado mínimo, menos intrusivo na economia e na vida do cidadão – embora devamos dizer que nem todo liberal (na acepção europeia) seja conservador em termos de moralidade e religião, como o são os legítimos conservadores americanos. (Nota do Tradutor.)

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Você não pode dominar o orgulho

Por Erik Raymond


Muitas vezes as pessoas se vangloriam e pensam que podem conter o pecado, particularmente o orgulho. Pensam que, ao invés de o pecado dominá-las, elas é que o dominam. Este tipo de pensamento manifesta um desastre anunciado. 

O orgulho não é algo para ser manipulado. Ele não é por você. Ele se opõe e destrói. 

Havia uma estória perturbadora aqui na região de Omaha. Um homem de 34 anos costumava andar para cima e para baixo em sua vizinhança exibindo a sua jiboia-constritora de 2 metros para os seus vizinhos. Muitas vezes ele deixava a cobra envolver os seus filhos e escorregar em seus trampolins. Gostava de exibi-la. 

Em uma dessas ocasiões, a cobra apertou o seu pescoço. Dentro de minutos ele estava sem fôlego, no chão, e pouco depois, morto. Seu “bichinho de estimação” tornou-se o seu assassino em matéria de segundos. Este homem superestimou a sua habilidade em dominar a cobra, enquanto subestimou o desejo desta em dominá-lo. 

Muitas vezes, o mesmo se dá com o pecado do orgulho. 

A sutil semente do orgulho cultiva um carvalho da auto-adoração no coração. Nabucodonosor não construiu uma estátua de 12 metros exigindo adoração no primeiro dia de reinado, mas no tempo que julgou oportuno fazê-lo. Foi a trilha gradual do orgulho. 

Salomão não consentiu com a adoração de falsos deuses no primeiro dia. No entanto, foi o lento vazar de idolatria e orgulho, quando seu coração apegou-se a mulheres estrangeiras, e a fama, que mudou a temperatura do culto de Israel, levando-os a um reino dividido.

Nem Judas vislumbra todas as ramificações do seu desejo por dinheiro e poder. Ele só se dá conta quando seu plano finalmente é materializado e a jiboia-constritora da culpa é apertada sobre ele. Ele foi vencido e arruinado. 

Foi o orgulho que incitou Satanás no jardim e induziu Eva a pecar. É o orgulho que sutilmente eleva o eu contra Deus; que tramou e consumou a morte de Jesus. 

O orgulho não é algo para ser levado levianamente, mas identificado e mortificado. Isto é, como cristãos, precisamos estar cientes da nossa susceptibilidade e ele, identificá-lo em nossos corações, e trabalhar ativamente para removê-lo por meio do arrependimento e fé em Cristo.

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Traduzido por Leonardo Bruno Galdino.
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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Educação clássica e cristã

Por Douglas Wilson [1]

A grande dificuldade em prover nossos filhos com uma educação clássica e cristã é semelhante à dificuldade que a água tem em correr ladeira acima. Tenho procurado encorajar os envolvidos nesta tarefa com a observação de que todos estamos tentando oferecer uma educação que nenhum de nós recebeu. Então, a primeira dificuldade em fazer isto é reconhecer a sua impossibilidade. Depois, tudo se torna fácil. 

É claro, o que não é possível com homens é possível com Deus, então precisamos começar esta tão difícil tarefa confiando plenamente nele. A questão realmente importante é se Deus nos chamou para isso. Se chamou, ele dará um jeito. Se não chamou, não o agradaríamos ao tentar, seja fácil ou difícil. 

Jesus nos ensina que os alunos raramente superam seus mestres, então esta questão da qualificação entra logo no início. O que isso significa quando estamos falando sobre educação clássica e cristã é que os pais que empreendem esta forma de educação para os seus filhos, particularmente em um ambiente homeschool, estão determinados a ser alunos bem como mestres. Eles podem estar apenas um pouco à frente de seus alunos, aprendendo coisas a fim de ensiná-los, mas em algum ponto devem adquirir o conteúdo que transmitem. Quando nossa escola decidiu (por princípio) ensinar latim, não tínhamos ninguém que soubesse latim. Mas decidimos mesmo assim. Acabei voltando para a faculdade para tomar algumas aulas, e aprendi o suficiente para estar um salto ou dois à frente dos meus alunos. 

O resumo deste primeiro princípio é que, a fim de prover este tipo de educação para os nossos filhos, devemos estar dispostos a trabalhar duro, e devemos estar dispostos, por Deus, a dividir o Mar Vermelho de tempos em tempos. Este é realmente um esforço de sangue, suor e lágrimas. 

Mas dizer que é uma tentativa árdua não define a natureza da dificuldade. O que é educação clássica e cristã?

Começaremos primeiramente com a segunda parte da questão. Que é educação cristã? Temos que começar excluindo uma definição que, infelizmente, é comum. Educação cristã não deve ser definida como qualquer processo de educação empreendido por cristãos. Porque os cristãos não foram arrebatados assim que convertidos e porque vivemos em um mundo pecador e caído, ainda nos é possível pecar. E podemos pecar em qualquer campo que atuemos - espiritual, física ou mentalmente. Cristãos podem realizar atos não cristãos, e pensar pensamentos não cristãos. Entre esses pensamentos não cristãos podem estar aqueles sobre a natureza e objetivo da educação. Assim como um cristão pode (pecaminosamente) furtar algo em uma loja, ele também pode pensar (pecaminosamente) que história, matemática e biologia são valores neutros. Mas não são.

A educação cristã ocorre quando o processo de educação para os filhos da aliança está sendo conduzido de acordo com os requisitos da Escritura. Em outras palavras, quando os filhos estão sendo ensinados na vontade de Deus, isso é educação cristã.

Um dos requisitos fundamentais da Escritura a este respeito é o de reconhecer o que os teólogos chamam de antítese. No início da história humana, Deus pôs hostilidade entre a semente da mulher e a semente da serpente. Um dos primeiros deveres que temos no ensino dos nossos filhos (a semente da mulher) é o de ensiná-los a tomar cuidado com as cobras. E este é um dever constante, em toda parte necessário. Onde eu moro (Palouse, estado de Idaho), não há cascavéis. Mas apenas a trinta milhas a sul de nós, começa o país delas (Canadá). Seria tolice andar ao redor do país ali embaixo sem qualquer consideração pelas cobras. A Bíblia nos ensina que a semente da serpente pode aparecer em qualquer lugar, e temos que tomar cuidado. Espiritualmente falando, não há lugar para relaxar e dizer: “Cobras não são possíveis aqui”. Assim, temos que ensinar nossos filhos a serem cuidadosos. 

Porque a educação é o processo de prepará-los para a vida e todas as suas diversas áreas, precisamos mostrar como esta antítese está em vigor em cada matéria - linguagem, história, ciência, matemática e assim por diante. Em toda matéria os homens falam a verdade sobre Deus, e em toda matéria eles mentem. Faz diferença quem escreve o currículo de história - se Moisés ou Jeroboão. “São estes deuses que nos tiraram da terra do Egito” (ver Êxodo 32.4).

Uma busca ativa da antítese repousa sobre outro pressuposto fundamental. Cornelius Van Til certa vez disse que a Bíblia é autoritativa em tudo sobre o que trata, e ela trata sobre tudo. Não há lugar neutro para onde pecadores (ou alunos) possam ir a fim de ausentar-se do que Deus está dizendo. Deus fala em todo tempo e em todo lugar. Sua Palavra não fala diretamente sobre cada matéria. Não diz nada, por exemplo, sobre programação de software e sobre como desmontar um motor à combustão. A Bíblia não é uma enciclopédia exaustiva. Ela é mais como uma chave no canto de um mapa que nos habilita a interpretar tudo nele. Não há uma área da nossa vida para a qual a autoridade das Escrituras não se extenda. Em educação cristã, isso significa que será dada grande ênfase ao uso da Escritura como autoridade para cada aspecto dela. É claro que isso não acontecerá a menos que as pessoas que supervisionam a educação sejam cristãs, embora isso também não seja nenhuma garantia para que aconteça. As Escrituras devem ser tomadas como o alicerce absoluto.

Dito isto, o que significa clássica? Esta questão pode ser dividida em duas, e precisamos lembrar que não é uma questão dissociada. Se dizemos que o aspecto cristão desta educação está aqui (autoritativa sobre tudo) e a parte clássica acolá (sob nenhuma autoridade), caímos na velha cilada da autocontradição. A educação clássica não pode ser entendida à parte de Cristo, pois nada pode estar à parte de Cristo.

Debaixo de Cristo, clássica refere-se a duas coisas. A primeira tem a ver com o conteúdo da educação que os alunos estão recebendo, principalmente nas áreas de literatura e história, mas não ausente em outras matérias. A educação clássica é comumente concebida como um programa de “grandes livros”, e isso não está tão longe da verdade. Para satisfazê-lo, precisamos de um instante para determinar o que significa “grande”. 

A maior parte dos livros que se mostram grandes livros currículos são parte do que tem sido chamado o Cânon Ocidental. Aqueles que se queixam deles o fazem em favor de uma contribuição multicultural mais ampla e eclética e dizem que esses livros são demasiadamente ocidentais, demasiadamente enviesados na direção da civilização ocidental. Mas há uma razão para esse viés, e ela nada tem a ver com a superioridade inata dos europeus e sua prole ao redor do mundo.

O reino de Deus não pode ser confundido com a cultura ocidental, e esta não se constitui o cumprimento do “venha o Teu reino”. Ao mesmo tempo, a história do reino de Deus e a história da cultura ocidental estão tão entrelaçadas que se tornam incompreensíveis se apartadas uma da outra. Considere a tentativa de explicar Carlos Magno sem referência à igreja ou Agostinho sem referência o Império Romano tardio. Na Providência de Deus, o evangelho espalhou-se do oeste e norte da Palestina para a maior parte. A civilização ocidental não é o reino de Deus, mas tornou-se grande por causa dele. Consequentemente, o tempo que leva para aprender e dominar toda a sua literatura e história vale a pena, e isso deveria estar no âmago da educação que proporcionamos para os nossos filhos. Ensiná-los sobre a cultura e herança deles não deveria nos incomodar, e isso não é descrédito para a cultura dos outros. Como tenho dito muitas vezes, não é possível ensinar os filhos a honrar outras culturas ensinando-os a desprezar a sua própria. Filhos que são ensinados a honrar suas mães entenderão por que outras crianças honram as deles.

Mas educação clássica também requer um método pedagógico particular, e este método tem sido chamado o trivium. Trivium é uma palavra latina que se refere a três modos de interseção, e as três estradas que se cruzam aqui são a gramática, a dialética e a retórica. Na formulação de alguns, a dialética é chamada de lógica. Uma geração atrás, a erudita e clássica escritora cristã Dorothy Sayers escreveu um ensaio intitulado “The Lost Tools of Learning” [As ferramentas perdidas da aprendizagem - aqui e aqui]. Seu objetivo era tomar os elementos medievais do trivium e alinhá-los com o que ela tinha observado sobre o desenvolvimento infantil. Ela disse nesse ensaio que estava confiante que ninguém era louco o bastante para tentar o que ela estava sugerindo. Mas decidimos acolhê-la assim mesmo.

A gramática refere-se aos elementos constituintes de cada matéria. Refere-se não apenas à linguagem; toda matéria tem uma gramática. A geografia tem rios e montanhas. A aritmética, tabuadas de adição e subtração. A história, nomes, batalhas e datas. Cada matéria possui uma gramática. Sayers aponta que crianças nos anos elementares estão passando pelo que ela chamou de estágio do papagaio [2]. Elas amam entoar cânticos, memorizar e recitar. Uma vez que gostam mesmo de fazer isso, e farão coisas para memorizar se você não lhas der, por que não ir direto ao ponto? Por que não tê-las agarradas à gramática, se é isso o que elas amam fazer e se é isso o que elas são boas em fazer?

O próximo estágio é a dialética, que se refere às relações organizadas dos vários pedaços de dados dispersos. No estágio da gramática, acumulamos montículos de fatos. No dialético, começamos a separá-los e arranjá-los. Este estágio (que, grosso modo, corresponde aos primeiros anos de ensino médio) é o tempo quando os alunos entram no que Sayers chamou de o estágio atrevido. Eles se tornam um tanto argumentativos. Então, ela reflete, por que não ensiná-los a argumentar? Quando você ensina lógica simbólica formal a alunos da oitava série, por alguma razão eles a devoram. Novamente, o ponto é ser objetivo. Neste estágio, os alunos começam a aprender matemática mais complicada, relações gramaticais em inglês e latim, lógica formal, e assim por diante.

O estágio correspondente com o elemento retórico do trivium foi chamado de o estágio poético por Sayers. Este ocorre durante os anos de ensino médio, e é o tempo quando os alunos tornaram-se naturalmente preocupados em manter as aparências. Novamente, ensinamos com a natureza do aluno, e lhes ensinamos a arte de apresentar-se bem - retórica. Este estágio é onde eles devem fazer cursos de retórica efetiva, juntamente com cursos de apologética e todos os seus cursos de literatura.

Pode ser admitido agora que a primeira geração de educadores clássicos e cristãos precisaram se virar com o que tinham. Mas felizmente, para aqueles que estão começando exatamente agora esta estimulante tarefa, existem pilhas e pilhas de materiais para ajudar o clássico e homeschooler cristão a começar. Esboçamos a grande teoria, que é semelhante a olhar para a maravilhosa figura do triciclo na tampa da caixa. Mas agora chega a hora da montagem, e você pode ouvir o tilintar assustador das porcas e parafusos dentro da caixa. Mas não se preocupe - há instruções claras e convincentes dentro dela (e não estão em japonês), e elas estão imediatamente disponíveis em organizações como a Association of Classical Christian School (ACCS), Logos School, Canon Press, e Veritas Press. 
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[1] Capítulo 2 do livro “Homeschooling Methods: Seasoned Advices on Learning Styles”. Editores gerais: Paul e Gena Suarez. B&H Publishing, 2006. p. 6-12, edição para Kindle. 
[2] “Poll-parrot stage”.

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Tradução: Leonardo Bruno Galdino.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Na estrada com Dante

Artigo removido.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

14 razões para memorizar um livro inteiro da Bíblia


Por Andy  Nasseli


Recentemente, passei aproximadamente 16 meses memorizando 1 Coríntios e, em seguida, recitei-o como um sermão para a minha igreja. Quero esse texto correndo nas minhas veias. Há algumas lições que tenho aprendido ao longo do caminho no que diz respeito ao por que e ao como memorizar um livro inteiro da Bíblia. Hoje, exponho a base lógica para memorizar as Escrituras; e amanhã, proverei um método que considerei útil para memorizar a Palavra de Deus.

Aqui estão 14 razões para memorizar um livro inteiro da Bíblia:

1. A memorização renova a mente com a perspectiva de Deus

Memorizar uma extensa porção da Bíblia é um modo estratégico de obedecer a Romanos 12.2: “E não vos conformeis a este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A memorização nos ajuda a ser como a pessoa do Salmo 1: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”.

2. A memorização obriga você a meditar no texto frase a frase - uma receita para a iluminação

John Piper atesta: “Memorizar as Escrituras torna a meditação possível nos momentos em que eu não posso estar lendo a Bíblia, e a meditação é o caminho do entendimento profundo”. 

É duro memorizar algo quando você não tem ideia do que ele significa. Assim, a memorização obriga você a fazer perguntas como: o que significa essa palavra? E essa frase? Como essa cláusula subordinada se relaciona com a principal? Por que essa sentença começa com “para”? Qual o principal argumento deste parágrafo? E desta seção? Em um tempo em que as pessoas têm condicionado a si mesmas a folhear artigos rapidamente enquanto navegam na internet, responder a questões como essas é mais importante do que nunca. 

3. A memorização ajuda você a pensar sobre o tom do texto

Alguma vez você já ouviu alguém proclamar que havia somente um volume e um tom? É como a estática do rádio. Não importa se a voz é alta e empolgante ou suave e monótona. Se tudo soa a mesma coisa, então tudo soa como um “blá blá blá”. Assim, memorizar um livro inteiro da Bíblia é uma oportunidade para pensar sobre o tom do texto. Deveria ser alto? Rápido? Severo? Em 1 Coríntios, por exemplo, o tom de Paulo às vezes é acolhedor (para encorajamento), ácido (por sarcasmo), sério (para reprender e advertir), e triunfante (para exultar em Deus e no evangelho). 

4. A memorização nos ajuda a traçar o argumento de um livro inteiro da Bíblia

Ela ajuda você a entender um livro em seu contexto literário. Você se torna intimamente familiar com o livro. Você sabe quais são as suas ênfases e pode articular o argumento principal e os de apoio. 

5. A memorização ajuda você a ver as conexões lexicais e temáticas dentro de um livro da Bíblia

Por exemplo, em 1 Coríntios Paulo repreende os coríntios por eles pensarem de si mesmos como sábios, quando, na verdade, estavam totalmente equivocados em relação à natureza da verdadeira sabedoria. Este é um tema bastante abordado na primeira seção do livro. Mas, logo após isso, quando Paulo aborda a questão do litígio entre irmãos na igreja, ele pergunta: “Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade? Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos!” (1 Co 6.5-6). Que pancada! Se você não tiver mergulhado suficientemente na carta, você perderá o espírito sarcástico de Paulo.

6. A memorização ajuda você a ver as conexões lexicais e temáticas dentro de outros livros da Bíblia

Uma vez que você tenha se trancafiado no texto em razão do livro que você está memorizando, algo especial acontece quando você lê outras partes da Bíblia. Palavras, frases e temas de outras partes da Bíblia relembrarão você dos paralelos com o livro que você memorizou.

7. A memorização ajuda você a matar o pecado

Por exemplo, se estou sendo tentado com qualquer tipo de pensamento sexualmente imoral, posso imediatamente começar a recitar 1 Coríntios 6.12-20. É uma poderosa maneira de matar o pecado! Piper coloca isso da seguinte forma: “Memorizar as Escrituras torna a Palavra de Deus mais prontamente acessível para vencer a tentação de pecar, pois as suas advertências e promessas são o meio de superarmos as enganosas promessas do pecado”. 

8. A memorização nos ajuda a aconselhar, ensinar e pregar com mais precisão

Memorizar um livro inteiro da Bíblia é uma maneira de frear declarações imprecisas. Você é menos propenso a dizer algo que contradiga o livro que você memorizou.

9. A memorização nos ajuda a aconselhar, ensinar e pregar mais poderosamente 

Muitas vezes isso acontece espontaneamente: o Espírito Santo traz à mente palavras que você memorizou, e tais palavras são exatamente aquilo que alguém mais necessita ouvir naquele momento. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Pv 25.22). Aplique-se à difícil tarefa de esconder as palavras de Deus em seu coração, e então espere o Espírito Santo trazer à sua mente apenas as palavras certas nos momentos certos. Piper está certo: “Memorizar as Escrituras provê as palavras fortes e afáveis para ministrar aos necessitados”. 

10. A memorização nos habilitar a recitar a Bíblia enquanto olhamos nos olhos das pessoas

Isto é incrivelmente poderoso. Recentemente, ouvi Piper recitar a carta de Paulo aos Filipenses, e foi comovente. Ele não olhou por cima das nossas cabeças ou na nossa testa. Ele nos olhou nos olhos enquanto recitava. Poderoso. Lembro-me, também, da primeira vez que vi David Platt recitar Romanos 1-8. Não foi ao vivo, mas um vídeo. Mas foi incrivelmente poderoso. Você pode pensar que as pessoas se entendiariam e cairiam no sono, mas minha experiência é que as elas ficam fascinadas e atraídas. Recitar a Bíblia olhando nos olhos das pessoas é extremamente difícil porque há muitos modos pelos quais você pode ser distraído, mas se você se concentra e faz o seu melhor para aprender bem o texto e depender de Deus, isso é possível - e muito poderoso. (Sobre a questão da leitura pública das Escrituras, ver o livro de Jeffrey D. Arthur, “Devote Yourself to the Public Reading of Scripture: The Transforming Power of the Well-Spoken Word” [Kregel, 2012]).

11. A memorização ajuda você a refutar os erros

Quanto mais você conhece a Palavra de Deus, mais você pode ser como um presbítero: “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tt 1.9). Gosto do modo como Jon Bloom coloca: memorizar grandes porções da Bíblia “afinará o seu medidor de bobagens”. 

12. A memorização ajuda você a orar longas porções das Escrituras

Isto é especialmente valioso quando você não pode ler as Escrituras, como quando você está orando reservadamente enquanto dirige, caminha, corre ou faz as tarefas domésticas. E é também valioso para orações públicas (ver “12 Reasons You Should Pray Scripture” [12 razões pelas quais você deveria orar as Escrituras”]). 

13. A memorização fortalece a sua mente

Seu cérebro é como um músculo. A memorização é para o seu cérebro o que o trabalho é para o nosso corpo: torna-o mais forte, mais saudável, mais perspicaz e mais vigoroso. 

14. A memorização torna a Palavra de Deus mais preciosa para você

Após você dedicar centenas de horas com um livro da Bíblia, ele se tornará ainda mais doce para você. A memorização ajuda você a estimá-lo.

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Traduzido por Leonardo Bruno Galdino.
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segunda-feira, 29 de junho de 2015

O assim chamado "casamento homossexual" – lamentando a nova calamidade

Por John Piper

Jesus morreu para que homossexuais e heterossexuais pecadores possam ser salvos. Ele criou a sexualidade, e tem uma clara vontade de como ela deve ser experienciada em santidade e alegria.
Sua vontade é que um homem possa deixar seu pai e sua mãe e unir-se a sua esposa, e que os dois se tornem uma só carne (Marcos 10.6-9). Nessa união, a sexualidade encontra seu significado teorreferente, seja em uma união físico-corporal, representação simbólica, regozijo sensual ou procriação frutífera.
Para aqueles que têm abandonado o caminho de Deus para a realização sexual e enveredado em relação homossexual, relação heterossexual fora do casamento (fornicação) ou adultério, Jesus oferece maravilhosa misericórdia.
Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. (1 Coríntios 6.11).
Mas hoje essa salvação dos atos sexuais pecaminosos não foi aceita. Em vez dela, o que houve foi uma maciça institucionalização do pecado.
Numa decisão por 5 votos a 4, a Suprema Corte dos Estados Unidos da América resolveu que os estados não podem impedir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A Bíblia não se cala sobre decisões desse tipo. Junto da sua mais clara explanação do pecado da relação homossexual (Romanos 1.24-27) está a acusação da sua aprovação e institucionalização. Embora as pessoas intuitivamente saibam que o ato homossexual (junto com a fofoca, a calúnia, a insolência, a arrogância, a jactância, a incredulidade, a crueldade, a desumanidade) seja pecado, elas “não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1.29-32). “[…] Eu vos dizia […], chorando, [que] a glória deles está na sua infâmia” (Filipenses 3.18-19).
Isso é que o que a mais alta corte do nosso país fez hoje — sabendo que tais ações são erradas, “também aprovam os que assim procedem”.
Minha sensação é que não nos damos conta de que uma calamidade está acontecendo ao redor de nós. O fato novo — novo para a América, novo para a história — não é a homossexualidade. Essa transgressão está aqui desde que todos nós transgredimos na queda do homem. (E aqui está uma grande diferença entre a orientação e o ato — assim como há uma grande diferença entre a minha orientação para o orgulho e o ato da jactância).
O que há de novo não é nem mesmo a celebração e aprovação do pecado da homossexualidade. O comportamento homossexual tem sido explorado, e festejado, e celebrado na arte por milênios. O que há de novo é a sua normalização e institucionalização. Esta é a nova calamidade.
Minha principal razão em escrever não é levantar um contra-ataque político. Não acho que este seja o chamado da igreja. Minha razão em escrever é ajudar a igreja a sentir a tristeza desses dias, e a magnitude do ataque a Deus e à sua imagem no homem.
Os cristãos, de forma mais clara do que outros, podem ver o tsunami de dor que está a caminho. O pecado conduz à sua própria miséria: “Semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Romanos 1.27).
E no ápice do poder autodestrutivo do pecado vem, consequentemente, a ira final de Deus: “prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus” (Colossenses 3.5-6).
Os cristãos sabem o que está vindo, não apenas porque o vêem na Bíblia, mas porque temos experimentado o doloroso fruto dos nossos próprios pecados. Não podemos escapar à verdade de que colhemos o que semeamos. Nossos casamentos, nossas crianças, nossas igrejas e nossas instituições — todos estão atribulados pelos nossos pecados.
A diferença é: nós choramos sobre nossos pecados. Não os celebramos. Não os institucionalizamos. Voltamo-nos a Jesus para obter perdão e socorro. Clamamos a Jesus, “que nos livra da ira vindoura” (1 Tessalonicenses 1.10).
E em nossos melhores momentos, choramos pelo mundo, e por nossa nação. Nos dias de Ezequiel, Deus colocou uma marca de esperança “[n]a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio [de Jerusalém]” (Ez 9.4).
É por isso que estou escrevendo. Não é uma ação política, mas amor pelo nome de Deus e compaixão pela cidade da destruição.
“Torrentes de água nascem dos meus olhos, porque os homens não guardam a tua lei” (Sl 119.136).
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Fonte: Desiring God.
Tradução: Leonardo Bruno Galdino.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Deus, os cristãos e a causa do pobre

Abaixo, uma pergunta que recebi no Facebook a propósito de uma ligeira crítica que fiz a um texto do pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa, da ONG Rio de Paz (o texto merece uma crítica mais demorada, mas fica para uma outra hora). Resposta logo em seguida, ligeiramente editada aqui.
Será que Deus não detesta ver os ricos em bons hospitais enquanto os pobres estão nos corredores e nas filas de cirurgias? Será que o Justo Juiz não se ira com o mal cheiro do esgoto a céu aberto das favelas enquanto os ricos sentem o cheiro do mar em seus apartamentos de zona sul? Será que o Soberano não abomina a disputa dos ricos bem instruídos com os pobres semi-analfabetos? Será que O Todo-Poderoso não ri ao ver tantos cristãos brasileiros com síndrome de europeísmo defendendo o estado mínimo em um pais em que tantos sobrevivem sem o mínimo de dignidade? Não vamos entregar o cuidado com os pobres ao marxismo. Nem vamos ser orgulhosos ao dizer: "cuidar dos pobres é tarefa exclusiva da Igreja, o estado não tem que se meter". Este é um valor cristão por excelência.
"Será que Deus não detesta ver os ricos em bons hospitais enquanto os pobres estão nos corredores e nas filas de cirurgias?" - pergunta pro Lula se ele prefere o SUS ao Sírio-Libanês (o hospital mais caro do Brasil) para tratar a sua saúde.

"Será que o Justo Juiz não se ira com o mal cheiro do esgoto a céu aberto das favelas enquanto os ricos sentem o cheiro do mar em seus apartamentos de zona sul?" - pergunta pra Regina Casé se ele troca seu apartamento no Leblon por uma casa na favela, que ela tanto diz adorar.

"Será que o Soberano não abomina a disputa dos ricos bem instruídos com os pobres semi-analfabetos?" - pergunta pro Ministro da Educação se o filho dele estuda em escola pública e quantos pobres ele deixou para trás na prova do vestibular.

Aí você me pergunta: "mas o Lula, a Regina Casé e o Ministro da Educação estão errados em querer o melhor para si?" E eu respondo: mas é claro que não! Estão absolutamente certos (desde que não seja feito às expensas do erário público, no caso dos políticos). Ora, se você tem condições de pagar por um serviço caro mas de qualidade, qual a razão de preferir o serviço barato (ou "de graça") e de péssima qualidade? Você vai mesmo preferir morrer porque "oh, há alguém morrendo neste exato instante na fila do SUS e eu preciso ser solidário a ele" (como a Yasmin Brunet, que disse que come pouco porque pensa nos milhões de famintos desse mundo)? Isso é contrassenso, para não dizer estupidez. E vou além: é pecado, pois viola o 6º mandamento ("Não matarás"). No caso dos figurões que citei, nem é preciso chegar ao contrassenso ou à estupidez, porque isso, posso garantir, é a últma coisa que lhes acomete. O problema dessa gente é mesmo a hipocrisia. Esse é o grande problema com a esquerda caviar.

Mas tem outra coisa para se pensar a partir dessas suas perguntas. Aliás, três coisas. Primeiro: gerir uma universidade cristã - de onde sairão os futuros médicos, professores, advogados, engenheiros e etc. - também conta como um "chamado para o pobre" ou só os que se enfurnam nas favelas é que são chamados para esta graça? 


Segundo: riqueza, bem-estar e conforto são coisas que existem "in natura" ou são coisas que se produzem e conquistam (lembre da escassez a que o homem foi reduzido e condenado após a Queda)? 

Terceiro: de quem é a culpa por toda essa desigualdade? Adianto que a esquerda dirá que toda a culpa é da "burguesia", e nunca, absolutamente nunca do próprio pobre. E como a meritocracia é um conceito "burguês-capitalista-opressor", a sua (da esquerda) proposta será sempre a de nivelar a todos. E do que ela precisa para isso? De um estado gigante e altamente interventor (o contrário do "estado mínimo"), o qual possa atuar como o "distribuidor de justiça". O grande problema com isso é que esse modelo político-econômico se mostrou e tem se mostrado um completo fracasso onde quer que tenha sido implantado, inclusive com o prejuízo de milhões de vidas - principalmente a dos pobres, público para quem ele pretensamente veio. Irônico, não?

Dizer que "cuidar dos pobres é tarefa exclusiva da Igreja, o estado não tem que se meter" não é questão de orgulho, mas de ser bíblico. Olhe para Atos 6 e veja se os apóstolos recorreram ao estado para socorrer as suas viúvas e órfãos. Em vez disso, diáconos foram instituídos para esse serviço. Aliás, não vejo qualquer pista bíblica no sentido de que o estado deve assumir para si essa função da caridade. Sua função está bem delineada em Romanos 13: o poder da espada. É com isso que ele deve se ocupar. E, como diria Fréderic Bastiat, o que precisamos  é "não esperar senão duas coisas do Estado: Liberdade e Segurança, e ter bem claro que não se poderia pedir mais uma terceira coisa, sob o risco de perder as outras duas". Os totalitarismos estão aí para provar essa verdade. Não entregar os pobres ao marxismo é exatamente não entregá-los ao estado.
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